Parâmetros
Curriculares Nacionais (BRASIL, 1998)
Grandezas e Medidas
Nas situações cotidianamente
vivenciadas pelos alunos, a existência de grandezas de naturezas diversas e a frequente
necessidade de estabelecer comparação entre elas, ou seja, de medi-las, justificam
a necessidade do trabalho com este conteúdo.
A comparação de grandezas de mesma
natureza que dá origem à ideia de medida e o desenvolvimento de procedimentos
para o uso adequado de instrumentos, tais como balança, fita métrica e relógio,
conferem a este conteúdo um acentuado caráter prático.
O trabalho com medidas dá
oportunidade para abordar aspectos históricos da construção desse conhecimento,
uma vez que, desde a Antiguidade, praticamente em todas as civilizações, a atividade
matemática dedicou-se à comparação de grandezas.
Assim, por exemplo, a utilização do
uso de partes do próprio corpo para medir (palmos, pés) é uma forma
interessante a ser utilizada com os alunos, porque permite a reconstrução
histórica de um processo em que a medição tinha como referência as dimensões do
corpo humano, além de destacar aspectos curiosos como o fato de que em
determinadas civilizações as medidas do corpo do rei eram tomadas como padrão.
No mundo atual, o Sistema
Internacional de Unidades fundamenta-se a partir de unidades de base como: para
massa, o quilograma; para comprimento, o metro; para tempo, o segundo; para temperatura,
o kelvin; para intensidade elétrica, o ampère, etc.
É no contexto das experiências
intuitivas e informais com a medição que o aluno constrói representações
mentais que lhe permitem, por exemplo, saber que comprimentos como 10, 20 ou 30
centímetros são possíveis de se visualizar numa régua, que 1 quilo é
equivalente a um pacote pequeno de açúcar ou que 2 litros correspondem a uma
garrafa de refrigerante grande.
Essas representações mentais
favorecem as estimativas e o cálculo, evitam erros e permitem aos alunos o
estabelecimento de relações entre as unidades usuais, ainda que não tenham a compreensão
plena dos sistemas de medidas.
Desde muito cedo as
crianças têm experiências com as marcações do tempo (dia, noite, mês, hoje,
amanhã, hora do almoço, hora da escola) e com as medidas de massa, capacidade,
temperatura, etc., mas isso não significa que tenham construído uma sólida
compreensão dos atributos mensuráveis de um objeto, nem que dominem
procedimentos de medida. Desse modo, é importante que ao longo do ensino
fundamental os alunos tomem contato com diferentes situações que os levem a
lidar com grandezas físicas, para que identifiquem que atributo será medido e o
que significa a medida.
Estruturas conceituais
relativas às medidas são desenvolvidas por meio de experiências em que se
enfatizam aspectos, tais como:
·
o processo de medição é o mesmo para qualquer atributo mensurável;
é necessário escolher uma unidade adequada, comparar essa unidade com o objeto
que se deseja medir e, finalmente, computar
o número de unidades obtidas;
·
a escolha da unidade é arbitrária, mas ela deve ser da mesma
espécie do atributo que se deseja medir. Há unidades mais e menos adequadas e a
escolha depende do tamanho do objeto e da precisão que se pretende alcançar;
·
quanto maior o tamanho da unidade, menor é o número de vezes que
se utiliza para medir um objeto;
·
se, por um lado, pode-se medir usando padrões não-convencionais,
por outro lado, os sistemas convencionais são importantes, especialmente em
termos de comunicação.
Resolvendo
situações-problema, o aluno poderá perceber a grandeza como uma propriedade de
uma certa coleção de objetos; observará o aspecto da “conservação” de uma
grandeza, isto é, o fato de que mesmo que o objeto mude de posição ou de forma,
algo pode permanecer constante, como, por exemplo, sua massa. Reconhecerá
também que a grandeza pode ser usada como um critério para ordenar uma
determinada coleção de objetos: do mais comprido para o mais curto ou do mais
pesado para o mais leve.
Finalmente, o
estabelecimento da relação entre a medida de uma dada grandeza e um número é um
aspecto de fundamental importância, pois é também por meio dele que o aluno
ampliará seu domínio numérico e compreenderá a necessidade de criação de
números fracionários, negativos, etc.
Tratamento
da informação
É cada vez mais frequente
a necessidade de se compreender as informações veiculadas, especialmente pelos
meios de comunicação, para tomar decisões e fazer previsões que terão influência
não apenas na vida pessoal, como na de toda a comunidade.
Estar alfabetizado,
neste final de século, supõe saber ler e interpretar dados apresentados de
maneira organizada e construir representações, para formular e resolver
problemas que impliquem o recolhimento de dados e a análise de informações.
Essa característica da
vida contemporânea traz ao currículo de Matemática uma demanda em abordar
elementos da estatística, da combinatória e da probabilidade, desde os ciclos
iniciais.
Nos dois primeiros
ciclos, as atividades podem estar relacionadas a assuntos de interesse das crianças.
Assim, por exemplo, trabalhando com datas de aniversário pode-se propor a
organização de uma lista com as informações sobre o assunto. Um critério para
organizar essa lista de nomes precisa ser definido: ordem alfabética, meninos e
meninas, etc. Quando a lista estiver pronta, as crianças a analisam e avaliam
se as informações podem ser encontradas facilmente. O professor pode então
propor a elaboração de uma outra forma de comunicar os aniversariantes de cada
mês, orientando-as, por exemplo, a construir um gráfico de barras.
Na construção de
gráficos é importante verificar se os alunos conseguem ler as informações neles
representadas. Para tanto, deve-se solicitar que deem sua interpretação sobre
gráficos e propor que pensem em perguntas que possam ser respondidas a partir
deles.
Outros dados referentes
aos alunos, como peso, altura, nacionalidade dos avós, times de futebol de sua
preferência, podem ser trabalhados e apresentados graficamente.
A construção de tabelas
e gráficos que mostram o comportamento do tempo durante um período (dias
ensolarados, chuvosos, nublados) e o acompanhamento das previsões do tempo
pelos meios de comunicação indicam a possibilidade de se fazer algumas
previsões, pela observação de acontecimentos. Pela observação da frequência de
ocorrência de um dado acontecimento, e um número razoável de experiências,
podem-se desenvolver algumas noções de probabilidade.
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